sábado, 7 de dezembro de 2013

Um pedaço do Chico

Chico estava no ponto a espera do ônibus que faz o percurso favorito dele.Uma informação curiosa é que não importava onde ele estivesse, sempre acabava o dia no mesmo ponto de ônibus, talvez gostasse das pessoas que passavam por ali, dos diálogos, muitas vezes, absurdos e engraçados que elas tinham, ou talvez gostasse mesmo de como naquele lugar ele era apenas mais um... 
Seja lá qual fosse o motivo, aquele lugar tinha uma alma que com certeza emanava uma energia que o acolhia, e lá ficava ele vendo diversos ônibus ,que o deixariam no mesmo lugar passarem, mas ele queria o que fazia aquele percurso... 

Que passa de frente ao lugar onde ele costumava passar todas as tardes e descia a ladeira com a vista do pôr-do-sol sobre o mar mais azul de toda salvador. Algumas vezes estava verde, mas ele se encantava mesmo com o azul que acolhia os pequenos barcos de pesca bem no fim da ladeira, e ele sempre pensava em como queria uma máquina fotográfica para guardar essa imagem nas paredes do seu quarto, mas não a tinha, porém tinha um cérebro que apesar de ser ruim guardava uns detalhes esquisitos e ele sempre ria de como o contraste era imenso, por que geralmente o subúrbio de salvador era muito mais aproveitado por turistas do que os que de fato moravam na cidade, e foi numa dessas reflexões bem antes de conhecer este percurso, vale ressaltar, que ele decidiu que andaria por salvador e que conheceria a " sua " cidade... e foi ai que se apaixonou.
Hoje eu entendo exatamente por que o chico se apaixonou por salvador, e me pergunto quem não se apaixonaria, a história de amor é da mais bonitas que poderiam ser por que veio aos pouquinhos. O Chico tinha um mundo aos nove anos e o dominava como ninguém, aos catorze tinha um outro mundo,e começo a 'analogar' como planetas do sistema solar e cada parte de salvador era um planeta diferente, aos dezessete anos chegou no centro o que é bem engraçado de se dizer por que na cidade tem diversos centros mas me refiro ao que usualmente chamam de centro.  E OLHA! É uma recomendação. Andem por salvador....
Há boatos de uma lista, uma lista de lugares que se você vier a conhecer o chico com certeza ele te levará.
Ele ainda não me contou sobre essa lista por completo, mas garanto que quando souber divulgarei ao mundo, ou deixo para que visitem salvador e o conheçam... 





domingo, 1 de dezembro de 2013

"O hoje é domingo cai sobre você e junto com ele a morbidez
cama para o sofá, sofá para cama."
-Dell Andrade

sábado, 30 de novembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Um dia que eu lii (senti) Saudade...


Ela sentou, de frente para janela, e sentiu a brisa no rosto, e sorrio,
A avó passou e perguntou " Ta rindo do que, menina ?"
ela disse "Nada" e naquele dia, nada nunca tinha significado tanta coisa,
Ela sentia falta de você, ou talvez de vocês juntas, de vocês andando, de vocês rindo,
sentia falta dos planos na aula de matemática, se ia ou se ficava,
E sempre era um dia de cada, por mais que ela sugerisse na maioria das vezes...
Era disso que sentia falta.
E o vento que bateu no seu rosto naquela tarde, de longe se assemelhava
ao vento que batia lá naquela vila,
naquela vila velha,
E lembrou-se de quando os papéis se inverteram,
e quem era tagarela ficou quieta,
E sorrio, e a avó passou mais uma vez resmungando alguma coisa sobre estar "no mundo da lua "
AH a  lua....
Êta se essa avó soubesse o que essa palavra trouxe junto,
Trouxe junto o poema mais bonito que ela já escreveu,
Que veio depois de uma noite ao som de música oriental,
E debaixo do céu mais bonito que veio junto com um monte de explicações sobre as três marias...
A saudade que ela sentia, apertou no peito devagarzinho,
e foi ver o papel que a outra escreveu em abril com tanto carinho
E abriu espaço para mais uma lembrança
Lá estava ela, rindo de novo!
Rindo de gente que promete as coisa, e até hoje ela espera:
disse a outra que faria um quadro...
e audaciosa que era fez o favor de por porcentagem,
70% não ouço, e os outros 30 % não entendo,
e quem entende ?  Logo ela que começa pensando na saudade, 
e termina pensando em ave.
"É lindo porém triste que as aves voem,"
mas elas vão e voltam,
principalmente as aves amigas
a liberdade que elas tem é a coisa mais bonita de se ver,
e profundamente triste por que faz falta,
triste por que dá saudade.
E saudade ,eu li que, é bom.
que bom,
que Eu Li....

Coisas que aprendi com...


(De animal para animal)

Hermes você fez muito jus ao nome que lhe foi dado, apesar de pouco o tempo mas a mensagem foi entregue. A  mensagem de que por mais feliz que algo lhe faça ( e por mais clichê que isso seja) quando menos se espera as coisas mudam. Jamais imaginei que fosse ficar realmente com você, mas ainda assim a dor ( talvez soe melodramático) foi inevitável quando você se foi. Não contente com esta primeira entrega, assimilo a outra, que custou uns dias para vir, ou melhor, para ser decodificada, de que nada pode ser pertencente de alguém. Estranho e engraçado mas você era caladão, e me desesperei diversas vezes pensando que tinha morrido, ate ver que não precisava estar se mexendo, correndo ou latindo para haver vida, ou sentimentos. Por mais infantil que pareça eu chorei. mas isso não o trouxe de volta, e depois eu percebi que você não poderia ter ficado, que sua felicidade esta la. estava longe. então não poderia lhe pedir que ficasse...

 Com amor, e muitas saudades

Panda.

"Tudo que populariza fica chato!"
 -Lii Carvalho 
20 de Julho de  2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Vila Velha


Entre descalço na minha tenda
 que é lugar sagrado
lugar que tem espaço e
que tudo está  organizado
 aqui fica o reflexo de todo esse descaso 
que uma cultura inteira tem causado
essa antropofagia assusta
mas aqui, entre descalço pra absorver
A energia daquilo que foi trocado,
 daquilo que te fizeram esquecer
todas as cores
todos os cantos
todos os pássaros
Todos eles, tratados de inocentes
mas ainda assim foram brutalmente apagados.
entre descalço
 e sinta
suas raízes gritando 

por reconhecimento
e é conhecimento
por favor, na minha tenda
ei de lhe contar tudo
mas por favor...
entre descalço.

bler



Todo mundo fica triste, e o bacana é que passa...
Só que tem demorado bastante dessa vez...
Só que tenho comentado menos sobre isso...
Só que
.
.
.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

 Eles falam do egoísmo, mas vivem jogando suas expectativas em outras pessoas sem perguntar se elas estão de acordo com isso. Reclamam de não serem felizes, e quando vamos analisar, os outros é que os deixaram triste. Egoísmo é deixar que o outro seja responsável por sua "felicidade", é entregar uma responsabilidade à alguém e depois cobrar impiedosamente. e é sempre a mesma ladainha  :

"O problema não é meu, O paraíso é para todos, o problema não sou eu, o inferno são os outros. o inferno são os outros ."

 -Dantaa Narpalca

O Ego, Sim!


(a primeira das primeiras coisas que deveria ter sido postada sobre mim.)


Peço desculpas, Peço compreensão, 
A questão é que não é pra mim da mesma forma que costuma ser para o outro.
Eu sei que é um jeito egoísta de se expressar
E olha que nem como arte, eu estou classificando.
não tem rimas, não tem criação, é só o dia a dia que coloco nas mãos.
e escrevo. e rio depois. e me lembro depois e depois. só.
não tem estrutura fixa, nem mesmo uma linha de raciocínio coerente.
é só você que me encontrou no ônibus, e você que sentou do meu lado.
talvez você que nem sabe da minha existência também tenha um espaço aqui e outro acolá.
No fundo, vocês hão de admitir, que eu não sou genérica.  E isso me deixa um tanto feliz.
e já que é o rumo de justificações que esse texto está levando, Vou confessar.
Esse Egoísmo é só um jeito de não estar tão sozinha.e evitar você de apenas me admirar.
Ora ora, participe. me chame. converse. me leve pra sair. apenas me conte uma piada. ou me aceite no hall do seu prédio. Quem sabe se me levar pra ver uma árvore, ou até mesmo para caminhar na cidade feia e atolada de pessoas, ainda que não seja uma noite deitados admirando o luar , esse tipo de coisa me leva a compartilhar. e aqui estou justificando meu egoísmo.
E comprovando que é só carência mesmo, carência da humanidade, carência do calor de uma aventura. 
E o mundo corporativo que me perdoe, mas me entregar a você, cara rotina, seria  ...
Na verdade não seria. Não tem um universo alternativo na minha cabeça, garanto que na da maioria que me acompanha, em que isso se permitiria acontecer. não para mim.
E agora a parte adicional de agradecimento e admiração, a todos vocês que são genéricos, Obrigada mesmo, por que as pessoas no mundo não sobreviveriam com a minha falta de identificação textual, e não só pelas pessoas, mas por mim mesmo, que me identifico com uma quantidade absurda de poetas e escritores anônimos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

É Ramos... (Sete)

Foi uma tarde bem inesperada, ainda mais por que a Guta la estava sentada admirando O Grande e Misterioso como de costume. O Zé bem que comentou como ele estava lindo naquele começo de tarde, e logo quando terminou de falar veio a menina de allstar azul que combina com seus cabelos pretos e falou " olha como o mar esta maravilhoso", o Zé sorrio e olhou para Guta todo presunçoso enquanto a outra menina de vestido branco perguntava " é aqui ?" 
Sim. Era ali. Foi ali. É aqui, pequena, que boa parte da história se enrola. 
Os ventos estavam calmos e atenciosos, praticamente beijava os rostos das três mulheres que sentaram ali, e ali bem ali foi tão gostoso de se ouvir tantas gargalhadas e histórias contadas pela metade, e foram um,dois , quatro e quase uma progressão geométrica de copos se iniciava quando as três mulheres se transformaram em 5 ou melhor... 4 e uma barbixa.
Uma bela e simpática barbixa diga-se de passagem....
E ai foram as mais maliciosas sugestões que logo viraram atos e bom, isso trouxe  a Guta lembranças de uns outros casais que ali por baixo também se entrelaçaram,  mas aqueles cinco não eram casais, e nem assim poderia, uma vez que matemática impar não permitiria. Eram amigos. E dos bons pelo visto.
Não de longa data, talvez apenas uma e outra fossem, mas amigos com mesmo propósito, sair da rotina que todas as segundas-tediosas- feiras impõe. 
Foram horas de conhecimento de cada um. Não conhecimento pessoal, mas anatômico...
O riso largo e silencioso da barbixa.
O copo ~sempre~ cheio da ultima moça a chegar.
O banco alto de mais para uma das primeiras que veio.
A experiencia em bebidas da dos cabelos pretos
 e assim foi até um outro grupo chegar e então as quatro mulheres e a barbixa marcharam em direção da bandeira ruiva da Inglaterra mas sem antes no caminho um senhor bonito acompanhar, e quando eu digo bonito é que de longe a Guta ouvia a beleza da alma dele gritar, o que fez alguns se encantarem, alguns que nem mencionei ainda mas logo logo irei falar.
e de volta estavam eles cinco, agora pelo passeio divididos:
A barbixa e o vestido branco, agora manchado de uva, seguiam vagarosamente enquanto o par de allstar azul que combina com o cabelo preto acompanhava a mulher de casaco rosaoutalvezvermelho que por sua vez tinha um colete xadrez do seu lado de braços dados.
E finalmente la estava ela, a grande e ruiva bandeira da Inglaterra, e as devidas apresentações foram feitas
num espaço de um beijo e outro, da barbixa com o vestido branco manchado de uva, 
mais conversa foi, e mais conversa veio. E junto com a conversa veio um par de calça jeans muito do tímido. 
E só uma pausa para soma, que na minhas contas agora são sete...
S E T E .... 
Ironia do destino o sete, numero divino da perfeição mas aposto que tarde mais pagã que aquela não houve não. Mas sete gente, sete é legal e aqueles sete ao redor de uma mesa agia como se tudo ali fosse bem natural, e na verdade foi mesmo, por que veio uma coisa de cada vez, sem pressa e foi embora da mesma forma : 
Uma
coisa 
de 
cada ...
Uma coisa de cada, e cada um fez uma coisa, teve os que fizeram muitas coisas mas garanto que a nenhum dos sete faltou coisa alguma. 
É engraçado pensar que eles nem se procuram durante um dia inteiro comum, mas durante aquela tarde eles foram excelentes parceiros. 
Foram amigos.
Foram companheiros. 
Foram sete e se foram...
Mas foram, por um período inteiro... 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"Papagaio e vaga-lume é tudo a mesma coisa.."
-Vó.

O vento norte




Nunca havia notado como o silêncio é tão engraçado,
como é triste e constrangedor também.
Alivia assim como pressiona e como faz sentir absolutamente nada.
Me agrada o silêncio que revela o que esta dentro e na verdade nada disso é silêncio, tudo é ,apenas, você se rebelando na brecha que lhe foi dada,
revelando para nada mais além do que você. 
Pode ser um silêncio sereno como o azul do céu de jauá, ou irradiante como o amarelo da bola de boliche, talvez triste como o marrom da cesta vazia, ou satisfeito como o verde da iguana da cesta. As vezes é inesperado como foi o roxo do cabelo da menina, ou leve como o azul petróleo do olho do menino, às vezes é inconstante e confuso como a combinação de azul,vermelho e branco da camisa do pai.
A verdade é que nessa aquarela o silêncio vai se adaptando, e poucos sabem distinguir, 
Algumas vezes é compartilhado o silencio branco de uns
Ou não se compreende o silencio alaranjado de outros. 
Eis que estes são meus, mas dentre essa explosão de signos eu mantenho a curiosidade em saber...
Qual a cor do seu silêncio ?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cruzeiros




15 de março de 1990 o Brasil volta a assumir como unidade do sistema monetário o Cruzeiro , Cr$, (que já foi utilizada anteriormente em 1942 por 25 anos e em 1970 por mais dezesseis anos.) e as antigas cédulas de 500,200,100 e 50 Cruzados Novos, NCz$, foram recarimbadas apenas para corrigir a nomeação da moeda, uma vez que o valor continuava o mesmo. Por conta da inflação veio a necessidade de se emitir cédulas num valor maior, e a de Mil Cruzeiros (foto) foi a primeira, e homenageava o sertanista¹ Cândido Rondon (também conhecido como Marechal Rondon).





Tio Wiki:
¹Sertanistas: São exploradores que se aventuram pelo interior do sertão brasileiro, e procuram por conquistas, riquezas ou com interesses sobre beleza natural. No período colonial eram chamados de Bandeirantes. Foram os principais responsáveis pela extensão das fronteiras do país, fazendo-as chegar à sua configuração atual.  Mais!



terça-feira, 4 de junho de 2013

O Suspiro


Levei a bela menina para longe
Longe... onde o meu cuidado desleixado não pudesse importunar
É que tão desajeitado que sou, a deixei triste só de respirar...
Será que me entende Zé ?
Como ela pôde notar...
Que esses suspiro foi de saudade
E não de quem está sem ar ?
Não queria magoa-la Zé,
mas já que ela perguntou não vou mais negar,
que aqui dentro já tem dono, Zé, mesmo que eu não vá me entregar..
Zé, eu a quero bem juntinho, mas ela não sabe esperar...
Por que eu sei que aos pouquinhos, a gente conseguiria consertar

Angra dos reis - Legião Urbana

Deixa, se fosse sempre assim
Quente, deita aqui perto de mim
Tem dias, que tudo está em paz
E agora os dias são iguais..


Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar...

Vamos brincar perto da usina
Deixa pra lá
A Angra é dos Reis
Por que se explicar
Se não existe perigo...

Senti teu coração perfeito
Batendo à toa e isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Uh! Uh! Uh! Uh!...

Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi...

Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo
Em chamas!
Deixa, pra lá...

Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é
Que a gente vai fugir?




A tarde no interior

Eram os olhos castanhos mais bonitos de todo o mundo,  talvez até fosse a posição, por que o sol refletia toda a experiencia e cansaço de alguém que tem passado os anos se preocupando muito mais com os outros do que com si mesma. Dessa vez não tinha nenhuma confusão entre seis ou meia dúzia, nem nenhuma disputa entre quem grita mais alto ou a procura de quem domina a razão... Dessa vez eram ondas tranquilas, ondas sonoras que simplesmente saiam como um desabafo. Um copo, preenchido com uma coisa que deveria ser um suco de uva se não fosse perceptível o aroma de álcool etílico, e sentou-se, veio de la àquela velha senhora, que gesticula sobre histórias da noite anterior (sim, essa senhora sempre está gesticulando histórias de noites anteriores) e a boca abaixo dos olhos castanhos nada falou, eu sorri como sempre e a senhora foi embora. As pálpebras, chatas que são, vieram e esconderam os olhos castanhos mais bonitos de todo o mundo, o meu sorriso ainda estava lá, e agora, não conseguia  pensar em um dialogo mais esclarecedor que este. Não que fosse dito muita coisa, não, não foi. A questão é que nos duas percebemos o amadurecimento de ambas as partes, e estava tudo tranquilo, finalmente... tranquilo...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Vila da Guta e do Zé


Era grande e muito velha a Dona Augusta, residia de frente para o mar, não tão perto para poder banhar-se nele toda manhã mas perto o suficiente para ver o sol exibir seu sorriso alaranjado por volta das 4:30, 5:00 horas.Vizinho da simpática Dona Guta vivia o Zé, para os íntimos, mas rabugento o bastante para preferir ser chamado a maioria das vezes de José mesmo. Seu Zé teima em ficar de frente para Dona Guta durante todo o dia, e ela queixava-se, pois desse jeito não conseguia ver as embarcações navegando pelo O Grande e Misterioso.
Durante os começos de tarde Guta ficava a observar as pessoas que sentavam ali naquele banquinho solitário, não que ela quisesse, mas era obrigada a isto visto que já estava ali a muito tempo. De tudo ouvia e trocava olhares com o Zé, e riam-se por dentro, muitas vezes de grupos de amigos que ficavam a fazer celeuma, outras dos casais,bobos ou deve-se dizer, apaixonados e toda aquela melosidade, e outras raras circunstancias de casais não apaixonados mas tímidos o suficiente para fazer o Zé suspirar de impaciência. Em algumas situações Guta ficava ouvindo os lamentos, tão atenta e compreensiva que parecia estar ali apenas para partilhar da dor dos outros e assim diminuir o peso que cada um carregava, Seu Zé se emocionava, porém agia como durão, mas não dava para esconder que algumas de suas folhas caíam nestas situações. Outros iam apenas admirar O Grande e Misterioso, e Dona Guta adorava esses, tanto que cedia de bom grato sua copa para proteger-lhes daquele , outrora alaranjado, sorriso amarelo fogo. A Sombra era tão agradável que era comum, estes permanecerem uma tarde inteira, e até mesmo boa parte da noite.
Grandes e Profundas eram as raízes de Augusta e José, no princípio era apenas isso que os mantia juntos, mas tanto tempo se passou que agora sentiam-se felizes por ter um ao outro, e uma imensa variedade de histórias presenciadas naquele banquinho entre eles. De certa forma Dona Augusta não admirava apenas O Grande e Misterioso, mas divertia-se também com o jeito engraçado do Zé se irritar, seja la com os casais bobos ou o que quer que fosse, assim como Seu Zé já não se importava mais com redução do seu nome, e no fundo no fundo, mas bem lá no fundo das reclamações rabugentas ele até gostava disso...

sábado, 27 de abril de 2013

Flor da escuridão


Ó flor negra
que brotastes de repente,
lembrava uma velha história de gente carente,
mas não era achatada e verde muito menos,
era negra tal qual véu que as índias tinham consigo.

Flor bela e comprida.
Flor esta que nunca havia visto
olhava se dentro onde pequenas pérolas se comprimiam,
aguardando sua hora para que outras belas produzissem.

Ó flor negra de folhas suaves e macias.
Teu cheiro me leva a crer além de outras vidas 
Pois se assim não fosse como mais saberia 
da existência desta bela que apenas a mim se revelaria.

Ainda que nunca apareças para outro 
Como a mim foi revelada 
mostro ao mundo tua beleza por estes versos mal dados
Ó flor
bela 
negra
e perolada
Leva-me junto ao teu lago 
onde descanso, por estar desabrigado.

O poema dos Quatro



4 foi O número, mas no principio amanheceu apenas  um,
veio mais outro, fruto da ausência de 20 que acabou por nos transformar em dois, 
num susto mais que engraçado
 éramos 3 e nem havia notado 
que o horário já tinha estourado
Numa carruagem, no imaginário, fomos constantemente do 3 ao 4 
mas de frente a casa verde, o imaginário foi concretizado
e lá estavam eles quarenta dedos acoplados...
cinco em cada pé ?
exato.
Passo, passo e mais passos
Antes de sentarem foram rapidamente 5 e um cocar, porém no fim das contas
8 nádegas que se sentaram, lembrando que estavam de par em par.
Acredito que muito mais de 360º os ponteiros se deslocaram
e na minha conta foram 90, dessas pequenas galináceas, devoradas.
4 línguas bem dotadas tagarelavam em frente a casa onde mais de mil páginas se instalavam
Duas ou três orelhas se incomodavam com uma das línguas malditas que abusava.
Mas de dois em dois, abraços foram mais de quatro
e de repente só dois pares de tênis desfilavam
pra lá...
pra cá...
uma pena, pois  foram curtos os próximos abraços.
trocou o par, mas ainda foram dois que se instalavam naquele bonito carro
Assim começou 
assim termina este embaraço
com apenas um na cama e dois olhos já cansados.


La luna


A lua
apareceu
e ali estava o brilho
de criança que desembrulha o presente
e se encanta de forma surpreendente.
De pai que se anima muito mais que filho.
O vento soprou e as nuvens , que antes deslizavam, correram
assim como o coração que pulsava de desespero.
E o vento soprou, levou a fumaça
e trouxe de volta
aquele olhar de quem gosta.
As estrelas
haviam ido embora
culpa das nuvens que correram outrora
cobrindo os belos brilhos 
brilho que surgiu entre os lábios da pequena
que refletiam nos olhos
E a lua respondia com um riso maior ainda, 
sabe-se que agradecia pois brilhava como a morena.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Käfer






" Ninguém por perto, silêncio no deserto
Deserta highway..."

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Vila Velha


O barulhinho que não vem


Que barulhinho bom , esse da grama crescendo 
de gente plantando, do são João chegando.
Que frio gostoso, gostoso como o munguzá 
e a tapioca que serve pra bolo, beijú , cuzcuz e olhe lá...
Se continuar barulhando e friozando com certeza vamos encontrar 
o milho quentinho, o amendoim fresquinho, o cheiro de pamonha no ar.

Deus queira que Lá caia a mesma água que aqui 
Ou quem sabe Alah seja mais generoso por aquelas bandas
Que Nossa Senhora proteja Ogum, para guerrear com a nossa mãe Iemanjá
e consigam junto com Oxum o sertão encharcar.
Não muita água, confio  no Cosmos e em Alfeu pra controlar.
Que essa seca de tristeza saia logo de lá.

Eu bem que gosto do friozinho e desse barulhinho
mas gosto mais é do povo que não consegue chorar sozinho.
Choro grupal sem lágrimas a escorrer.
A dona natureza já falou que nem vai se meter
mas é claro, se o doutor Homem diz que vai resolver.

E se passam as décadas
e por lá continua 
a seca maldita,sem barulhar, sem friozar
afinal, doutor Homem é ocupado e o consultório tem de enfeitar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Estação 17



Mil quadrados espalhados e dona Sofia nem sabia o por que deles estarem la, 
simplesmente estavam, e eram destinados a estar,
 um " eu gosto de quadrados " pra la, 
e um " eu gosto de pássaros " pra cá. 
Foi meio engraçado, mas ela tentou desenhar, 
e os pássaros engraçados começaram a brotar, 
ela me veio com uns coqueiros, que poderiam até elogiar, 
mas a questão é que de elogios ela não sabia brincar.
Passaram-se os dias, e começaram a trocar, 
as mensagens e os gostos que chegavam até a assustar
E todo dia se repetia, no cubículo branco e pessoas a conversar,
mas nem se importavam por que  palavras cruzadas às faziam chorar
chorar nem é a palavra, mas vai que não consigo rimar
então é mais fácil dizer que elas pareciam nem estar la
depois de va gar zinho ela puxou a outra pra cá 
e de repente estavam elas de novo naquele lugar
uma senhora legal se preocupava em procurar
o livro que a dos quadrados decidiu investigar
a outra desesperada só queria se mandar 
e falava de ladeiras, sequestros e outras coisas que nem dá pra lembar
a tecnologia surpreendeu, mas o capital não estava la.
então continuaram caminhando até aquele cara encontrar,
veio aquela indecisão, "Falar ou não Falar"
e dentre muitos risos até o 17 foram caminhar
e então pararam e puseram-se a esperar 
enquanto uma delas não parava de indagar 
" E se eu não existir, e você só estiver a me imaginar ?"
E a outra assustada começou a desconfiar 
era assunto que dava para a noite virar 
mas de repente veio a máquina e para longe decidiu levar
a pequena coruja ia à praia se abrigar 
enquanto o panda voltava para na floresta descansar.

A torneira quebrada


A escuridão se foi em um rompante
 e ao analisar face a face narciso
 podiam claramente ouvir
 Pin
        Ga
               Pin 
                       Ga 
                            Pin 
                                    Ga
e toda a visão se embaçava 
Não era mais um dos mais bem vistos
uma vez que a saudade la dentro apertava 
e a mãe la fora gritava 
"Fecha a Torneira menino!!" 
mal sabia ela que ele não abriu nada
o cupado estava no campo e até 
havia tentado, mas não soube fechar
Então de longe se via 
 Pin
          Ga 
                Pin 
                      Ga
                             Pin 
                                   Ga 
Sem saber explicar essas gotas da água do mar,
que não paravam de P
                                    I 
                                        N 
                                             G
                                                  A 
                                                        R 

terça-feira, 19 de março de 2013




  (5 centavos, 1969, Brasil)

Bom como prometido, la vai uma contextualização,  foi um ano de contradições e mudanças.Nos cinemas, nosso ilustre Glauber Rocha lançou um de seus clássicos, "O dragão da maldade contra o santo guerreiro" mas este ano foi, principalmente, o ano de "Macunaíma" (quem não se lembra das aulas de português, e o malandro macunaíma que só pensava em 'brincar' ), de Joaquim Pedro de Andrade. Se pularmos um pouco fora do Brasil, foi o ano de "Woodstock", e , no Brasil, a filosofia hippie chegava na montagem dirigida por Adhemar Guerra de "Hair", musical estrelado por Aracy Balabanian, Altair Lima e Armando Bogus, e que tinha, no elenco de apoio, os novatos Sonia Braga, Ney Latorraca e Nuno Leal Maia. Na literatura  Jorge Amado lançava "Tenda dos milagres" e na televisão o "Jornal Nacional" foi ao ar pela primeira vez, é enquanto isso o pau comia com a ditadura, mas o Brasil era "um país tropical, abençoado por Deus, e  bonito por natureza" e com uma atividade cultural que fazem os outros anos morrerem de inveja, e assim correu o ano que trazia consigo o nosso " Milagre Econômico" onde o governo de Médice, entrou pra história por estar governando em meio aos maiores índices de desenvolvimento e crescimento econômico do país, tudo isso gerou uma euforia do caramba aqui no Brasil e o governo Médici gostava de ressaltar este "milagre econômico", apontando-o como uma conquista do regime militar. Ai ai... essa  fase de prosperidade da economia brasileira tinha muito mais causas externas (internacionais) do que internas e justamente por isso, quando a situação da economia mundial se tornou adversa, o "milagre" brasileiro chegou ao fim e teve um custo social e econômico( e cultural também.) altíssimo para o país.... Mas isso é conversa pra a nossa próxima moeda.

P.S.: Não encontrei quem de fato é o ser representado no 'fundo' da moeda, mas tenho um grande palpite que seja a nossa personagem do quadro de Eugene Delacroix , um ilustre pintor francês do romantismo. Caso alguma alma tenha conhecimento, por favor, corrija-me assim que for possível.

O vento e a Chuva




No breu da floresta uma pequena árvore dourada de copa cor de jabuticaba  estava a se balançar ao som dos ventos. Parecia leve e suas folhas se movimentavam de uma forma tão sinuosa que na escuridão só os olhos atentos notariam este movimento. Eis que a chuva desaguou inesperadamente sobre uma outra árvore, comprida de tronco cinzento ou seria preto ? talvez até cintilasse, mas vale ressaltar que estava escuro , enganos poderiam acontecer, o vento e a chuva juntaram as árvores, que se movimentavam de acordo com o ritmo inquietante da selva. Não era o habitual de se ouvir por àqueles vegetais presentes no local, mas era o que se tinha então por que se contrapôr ? Giravam e giravam  floresta a dentro e se pudessem falar... " não consigo enxergar nada" seria dito e " eu também" seria o respondido, por que estava escuro, e tudo gira no escuro, mas eram apenas árvores, e árvores não falam, não dançam, não enxergam nada no escuro. E pela manhã, estava ela, recostada sobre a mesa, e agora completamente diferente, onde foi parar seu tronco cinza ou seria preto ? àquele que talvez até cintilasse... sumiu, e uma mão a segurava escrevendo uma história engraçada sobre uma noite de vento e chuva, ela estava diferente, as raízes doíam, tudo havia sido processado, e agora ser lápis era a sua essência, mas não era o ser lápis que a fazia enxergar, desta vez a chuva havia cessado, e pela manhã mais nada fica escuro vale ressaltar. e sendo lápis ela não disse nada, logo agora que poderia falar, mas lembrava-se de quando era árvore, e árvores não falam, não dançam, não enxergam nada.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Soul Sister


Eu te choro
 tu me choras 
      e assim choramos madrugada a dentro 
                   afinal, essas coisas são dignas de abraço. dignas de aperto.
                       dignas de um violão e uma noite estrelada.
dignas do silêncio. dignas da melhor, das melhores paisagens, essas coisas são dignas de admiração...
 dignas de um segurar das mãos intenso, e de olhar nos olhos e poder encontrar a outra alma conectada a sua. por que essas coisas, são coisas do amor.
e o amor faz essas coisas. a natureza é bonita, e apronta coisas... sabe, essas coisas.
 Ela me entregou a você. e tu me destes seu amor e em troca lhe mostro um pouquinho do que essas coisas me fazem compor.
                                                     A.C.A

sábado, 9 de março de 2013

Hobbie



Já passei por diversas experiências diferentes de coleções, dentre elas, Canudos, Tazos, Cartas de Pokémon (que ainda tenho dentro de alguma caixa escondida nos segredos do meu quarto), bolinhas de borracha, porém a que mais se sustentou foi a coleção de moedas. Bom hoje algumas pessoas usam o termo numismático para determinar um colecionador de moedas, mas a palavra numismático determina  a pessoa que se dedica a estudar moedas, e não necessariamente coleciona-las, a assimilação de termos deu se ao fato de que a galera que estudava as moedas passou também a colecionar e os colecionadores  a fazerem pesquisar (ainda que breves) sobre suas moedas.
Eis que pretendo deixar praticar apenas o colecionismo e pesquisarei sobre a minha atual coleção de forma gradativa e compartilharei aqui os frutos de minhas pesquisar. Semanalmente divulgarei informações de duas moedas, assim como a imagem de cada uma delas. Não as selecionarei, necessariamente, por ordem cronológica.

(Imagem: 500 cruzeiros 1993/1992, Tartaruga Marinha)
(Essas são as minhas favoritas, e abriram a série de divulgação )

sexta-feira, 8 de março de 2013

Feliz.... ?




ei, ao invés de comprar flores, de sair distribuindo mensagens (de "seu dia é todo dia") em redes sociais, por que não pega esse dia, este único dia que a mídia cedeu bondosamente para as mulheres, e pesquisa um pouco sobre o que as donas deste dia tem sofrido nos últimos 2 anos, ou menos, 6 meses, quem sabe na semana, junte as denúncias de agressões contra a mulher, a quantidade de mulheres mortas. ou então sai na rua, e dedica um dia de reflexão aos comentários desnecessários e incômodos feito às mulheres nas ruas. Abre outra aba ai, e pesquisa no google sobre a Simone de Beauvoir ou talvez menos, põe só feminismo ai e vê no que dá.... Assim talvez melhor do que todas essas pesquisas direcionadas, só olhe a história do seu país e procure em que posições estavam as mulheres em cada época, ou .... são tantos ou's que você perceberia que é necessário muito mais que um dia para compreender, tudo que à que as mulheres são submetidas atualmente, ( e ao que já foram submetidas antigamente). Não diga " Parabéns pelo seu dia Mulher" se você não sabe exatamente o por que à está parabenizando. de fato. Parabéns Mulheres. Por cada objetivo já alcançado, cada barreira já superada, mas acima de tudo, Parabéns por não ter desistido dessa luta incansável contra o machismo e patriarcado.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Coisas que aprendi com...

HERMES
3- Prenda o cabelo se pretende sair com ele no pescoço
4-MANTER SUA IRMA DE 10 ANOS DISTANTE*
5- Iguanas tomam sol para renovar as energias
6- Não se preocupe, ele não morreu, é a  respiração que é quase imperceptível mesmo.








*primeira reação da minha irmã "Nossa, você tem uma iguana!!! Eu sempre quis saber qual a cor do sangue desse animal."  DDDD:  ai inciei um processo de manter as facas ou qualquer objeto cortante longe dela e do hermes.
Se tem uma coisa que me enche os olhos são os desenhos. 
E infelizmente não sou profissional nisso mas
vou sair disponibilizando meu progresso (ou não) aqui.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Uma noite que não se repete



       


A Semideusa atormentada de devaneios ouvia atenciosamente o dialogo dos velhos titãs e titânides  e arremessava o mundo com força contra o chão enquanto o recente guardião rodeava a cena com aquele ar de deslocado, a noite estava bonita o suficiente para adiar o sono e talvez isso explicasse a relutância em se deixar levar por esse supérfluo, uma advertência contra o fragor e então aquietou o mundo nas mãos,apesar de duvidar do incômodo, de repente veio uma grande mão e a puxou carinhosamente, recostando-a contra um peito duro e macio  e ela passou a escutar de perto aquela voz de trovão participando do debate, em outra ocasião talvez teria assustado a jovem  mas o calor da mão de Zeus sobre seus cabelos embaraçados a fez relaxar e lembrar-se de quando era a favorita, sorrio e dormeceu com essa recordação ao som daquela música estrondosa que costumava assustar e afugentar os mortais.

domingo, 27 de janeiro de 2013











o
n
e

d
a
y
.
.
.

The theory that never came



Era a rede azul mais bonita do mundo. A menina abriu os olhos verdes café e deparou-se com o azul do céu e aqueles pontos azuis de um tom branco espalhados e agora não tão enigmáticos, apesar de ainda conhecer pouco mas a deixava fascinada e quando falava com os amigos sobre havia tanto entusiasmo que o pouco nem importava tanto assim. Muita conversa do lado de dentro da casa, sons que nem foram traduzidos para que ela soubesse o que estava acontecendo, afinal, aquela ali poderia muito bem ser uma gigante vermelha, mas brilhava demais, então talvez fosse um planeta, ok. ela não sabia diferenciar, {ainda}, ajeitou a cabeça na rede e dedicou-se a encontrar outros vestígios do que seria aquilo. do outro lado,  peixes? será ? Droga. parecia que os olhos estavam inventando pontos onde não existia, ou os olhos estavam se acostumando as luzes conseguia  ver as demais estrelas ou talvez fosse o sono que a fizesse distorcer as coisas. De fato parecia que era o sono, pois piscou duas  vezes seguidas, normalmente sabia admitir quando tinha uma causa perdida, e dormiu.
Acordou aos gritos do pai, e não o respondeu esperando que não fosse com ela, porém era mais uma que perdia naquela noite, e ele estava mais próximo agora, ela afirmou que estava a caminho e pensou triste que teria de levantar-se da rede azul mais bonita do mundo, mirou o céu novamente e viu duas estrelas numa só, e pensou que poderia ser algo que geraria uma boa teoria. Por fim levantou, subiu as escadas, e pegou a chave no bolso para abrir o portão, e uma pedra caiu, ela olhou para um lado e o outro, estava tudo perfeitamente normal, então riu por dentro pelo que estava prestes a fazer, coisas de cena de filme, e levantou lentamente a cabeça como quem espera ver um alien babando bem acima de si, e deixou escapar um riso aliviado, era apenas o primo mais novo e o não tão novo assim.
Apagou as luzes que o pai havia pedido, e fez o caminho reverso, trancou o portão, subiu a cabeça novamente, despediu-se do primo mais novo e do não tão no assim , desceu as escadas e os escutou comentar " como ela maluca" " , deitou se na rede azul mais bonita do mundo e voltou a admirar o céu, e la estavam elas as duas estrelas numa só, e estava prestes a iniciar sua tese em relação a elas quando a irmã do meio chegou e começou a conversar sobre assuntos que a fazia rir por dentro, decidiu não ignora-la dessa vez, e entrou naquele diálogo doido de crianças de 10 anos, a teoria pode esperar.

Depois de uma e duas peças


Ontem a noite estava linda, devo meus parabéns a lua que brilhou como nunca e as nuvens também que se espalharam de um jeito gracioso formando uma moldura magnífica. Por traz delas o azul... Sempre o azul, desta vez um azul negro que abrangia toda a orla da praia, os coqueiros balançavam de forma a saltarem daquela moldura inicial, poderia perfeitamente encaixar  em uma figurinha tridimensional ,daquelas que costumava-se ganhar em um pacote de salgadinho,  e o uivo do vento era singular, um breve momento de distração até voltar os olhos a mesa os dados das recentes partidas de dominó estavam espalhados 3 e 5 eram os números marcados no tabuleiro, e apenas copos sobraram. Muita gente rindo, e uma senhora em pé, gesticulando alguma história da noite anterior, tentei deixar a expressão facial de uma forma neutra, por motivos simples, primeiro por ser horrível quando perguntam o que está acontecendo e não há o que responder, e segundo o céu estava lindo, não saberia explicar e pensariam que era uma tentativa de fugir do assunto, e ai é que começariam a pressionar, Ao fim deste pensamento me deparei com um par de olhos, e percebo que o próximo passo é o abrir dos lábios, então me apressei e disse " a lua esta linda hoje"  e olharam para o céu, concordaram rapidamente e voltaram a prestar atenção naquela senhora tagarela que estava a encenar atos agora de uma nova história, voltei a minha paisagem preferida, encontrei órion e o seu cinturão, que de fato é sempre o que avisto primeiro, senti um pouco de raiva de algumas nuvens que se colocaram sobre o lugar onde deveria estar gêmeos, ou será que estava olhando para o lugar errado, virei e também não encontrei, o brilho da lua estava atrapalhando enxerga-las direito, recostei na cadeira, e admirei um coqueiro, tão desgrenhado como os outros, tão torto como os outros, até que uma pequena e luminosa esfera de plasma próxima àquele grupo de folhas, numa área que surpreendentemente se encontrava sem qualquer vestígio de nuvens, solitária, imaginei que fosse sirius mas não brilhava tanto assim, apenas brilhava, aquela estrela estava distante das outras só que jamais a teria encontrado se não fosse aquele coqueiro, me sentia imediatamente como ela, bom, óbvio que estava rodeada de pessoas, mas me sentia tão distante, perdida na magnitude dos meus pensamentos azuis, sim eles sempre eram azuis se formos colori-lo e naquela noite, era um azul negro, e ainda que o senso comum assimile a algo obscuro, eram os pensamentos mais claros que rodeavam a minha cabeça, e automaticamente estava sorrindo, e esperava que de alguma forma, ela sorrisse de volta.