Eu tive um sonho, e talvez um dos sonhos mais bonitos que eu poderia ter, tão bonito, que agora me sinto patética de não ter notado que era um sonho, estava tudo tão perfeito, tão incomum. Talvez eu soubesse desde o principio que era um sonho, mas a vontade de que fosse real me fez vivenciar tudo com um tom de esperança. Ai! a decepção ao ouvir ” ei, acorda, está na hora de levantar”, a decepção de ver aquele sorriso, aquela data 16/10/XXXX, aquelas lembranças de um futuro que não existiu, tudo se dissolver com a claridade, e me deparar com o teto branco do quarto.” Não é possível. Não não não… eu não acredito que era um sonho!” Sim. era um sonho.e voltei a minha realidade, levantar, se arrumar, correr, pegar um ônibus, subir aquelas escadas, passar por aquele viaduto, a barraquinha de frutas, os moradores de rua, tudo em seu devido lugar, nada Fantástico, nada bom o suficiente para que eu pensasse que talvez o sonho fosse aquilo, mais passos. até que o vento sopra, trazendo um aroma. inspirar aquele ar foi como um soco no meu nariz, , por que meu corpo conhecia muito bem aquele cheiro, tão bem a ponto de meus lábios relaxarem em um sorriso involuntário, sim… esse cheiro de náufrago do sofá, mas não que fosse ruim, era um tão suave e sereno ao mesmo tempo, se tivesse um sabor, diria que eram pinhas, mas não as daqui, as pinhas de lá, as pinhas de longe, eu sei que existem, sei que são bonitas, mas o gosto não faço a menor ideia de como seja,até por que essas pinhas são bastante confusas e misteriosas, sim, cheira como pinhas, pinhas que nunca provei, definitivamente são pinhas. Então olho ao redor e não encontro nada de onde o vento pudesse ter sequestrado o cheiro, então só poderia ser a minha imaginação,dizem que é isso que o cérebro faz não é ? a lembrança de um dia, a lembrança de um dialogo ? não não tinha nada a me lembrar, ainda estava muito perturbada com o sonho, mas isso conscientemente, então só tinha como explicação meu subconsciente sendo feliz com essas lembranças. mais passos, carro prata passa ao meu lado, e o barulho de um ônibus… sim malditos sejam barulhos de ônibus, eis ai uma coisa que aprendi a odiar, o que é bastante paradoxal uma vez que boa parte do meu tempo passo em pontos de ônibus mas tenho cá os meus motivos.virar a esquina, médicos saindo do plantão, médicos indo para o plantão, outra lembrança, é eu odeio hospitais, o cheiro, o clima é bastante pesado, de fato não gosto de hospitais… então por que estava pré disposta a estar tanto tempo la quando nem precisava ? ai! o sinal fechado e eu vou me atrasar, maldita recuperação, uma pessoa louca se joga na frente de todos os carros, Ela realmente é maluca, não sabe que quase me matou do coração quando fez aquilo, e la vou eu ” você não tem juízo não rapaz ?” ela só ri. O mais sinistro é que é tudo tão confuso, uma mistura de realidade, com lembranças, e anseios, e agora ? o que é real ? eu insisto em acreditar que o que dói mais é a realidade. O sinal abriu, la vou eu, passos, passos, olha só, nem tem bolo hoje, que bom, eu odeio bolos! RÁ RÁ! como se dizer que odeio me fizesse realmente odiá-los, mais um riso involuntário,” caramba, hoje você deveria se preocupar apenas com a prova cérebro!” mais risos mentais, e eu odeio quando ele é sarcástico assim “Estou só tentando te distrair.” mas como é atrevido, me distraír com todo esse turbilhão de devaneios ?? ” Você quer é me enlouquecer isso sim” dessa vez, até eu achei graça, onde ja se viu, conversando com meu próprio cérebro como se fosse uma pessoa.ri alto,caminhando no automático agora, ja tinha passado pelo primeiro portão, e como aquela mulher estava com a caderneta de nomes na mão havia realmente me atrasado mais uma vez, “Por favor, se eu perder essa prova perco de ano!” era realmente um bom argumento, ” Terceiro ano não é ? tudo bem, pode subir”, nem me recordo se agradeci por essa gentileza, mas ora você é tão bom em lembranças e agora notei que perdeu muitos detalhes moço, ” não posso me ocupar de tudo, se não você enlouquece esqueceu ?!”, não sei se é mais complicado conviver com as pessoas escrotas, ou com meu próprio cérebro que me sacaneia o tempo todo. 1 degrau, 2 degraus, 3 degraus… vou pular esses dois para ir parar no 5º degrau, droga, se eu quiser chegar no 8º Degrau definitivamente vou cair, e ri mais uma vez sozinha.e la vinha uma menina estranha rindo com nada e saltitando pela escada, essa era a visão de quem estava no ultimo andar. HEY, finalmente o corredor, AH mas que droga, hoje é a prova, será que vou lembrar do pouco que estudei ? e esse foi mais um breve momento de lucidez, até que entro naquela sala, e la estava(m) Elaes, Sorrindo, e felizes, deixei a mochila em um lugar aleatório, e fui socializar, “Todos nós juntos, até no primeiro dia de prova” alguém disse, acompanhado de risos de aprovação de todos, até meu, só que não foi um riso voluntário de minha parte, aquele cheiro estava bem mais perto agora… Malditas pinhas
