sábado, 18 de abril de 2015

O último cigarro


Lá estava eu devaneando sobre todo aquele momento,
o último cigarro e a atenção que se voltou para ele o ambiente escuro e fresco embaixo de uma imensa árvore (que não era pé de manga rs. )
Desta vez não cantavam os pássaros, nem haviam pessoas conversando. 
Um ou outro passou por nós e o que eu tinha em mãos mesmo era a pele dela, dentre os raros momentos da vida não havia quase nada em minha cabeça e isso me deixou em êxtase. talvez um nirvana estivesse por vir. 
Houveram uns risos em algum ponto, umas declarações em outros mas nada que significasse tanto quanto a sincronia que estava estabelecida com os nossos rostos. Nariz e boca tão próximos e ainda assim todo o resto para se sentir, vez o outra o sentido focado na brisa que batia, naquela noite fria de verão, dava espaço para o cheiro dela, que eu já havia me apoderado e passara a ser meu. 
A atmosfera daquele momento foi tão diferente que toques usualmente comuns despertaram a sensação de ser o primeiro, mais pelo fato de que  primeiro representa único até aquele momento. E foi como me senti quando ela repousou a mão na minha nuca. O ultimo cigarro acabou e acendemos outro, tragamos... Mas ele não era nosso, e isso ficou evidente para ambas, a principio eu apenas pensei e ela foi quem verbalizou. O cigarro dela foi repousado a seu lado assim como o meu do lado oposto. O cigarro poderia até não ser meu, mas havia uma certeza de que nós duas nos pertencíamos cada vez mais e aquela sensação foi a ignição para todo o movimento a partir dali, Não só os rostos estavam sintonizados como os corpos também.
E esse pequeno, porém extenso, devaneio me fez sorrir uma noite depois, não apenas sorrir como ter a sensação de estar lá novamente.
Pensei que aquela sintonia permanecia, talvez seja inocência ou ambição demais querer que ela ainda estivesse ali, e não estava. 
Deu espaço para outra coisa, para o que sempre vem, uma hora ou outra. 
Vez para angustiar, vez para nós deixar com um quê de saudade...
Vai saber para o que veio, mas o passado é assim, retorna quando menos se espera. 
Disso tudo eu sabiam, só não sabia que dói mais quando o passado é o do outro.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Gripe ou resfriado ?

As pessoas cansam... E o ciclo é sempre o mesmo, o encanto, a euforia, as diferenças e plim lá esta se cansando novamente.

 O engraçado é que mesmo sabendo do ciclo, entramos nele de cabeça. E você que concordou ou torceu o bico pra frase anterior, me deixe explicar que o movimento é importante, por mais que a decepção seja da mesma espécie o resultado nunca é o mesmo. 

Aliás, de igual mesmo é apenas o erro. Ele sim que se repete com esplendor. Misturando encanto e euforia vão se criando diversas projeções, promessas e declarações.É uma realidade alternativa que nos faz acreditar que realmente tudo aquilo é concreto, e naquele momento é. Realmente se pensa o dia todo quando se encanta, realmente se faz tudo, quando há a euforia, mas o que resiste quando as diferenças se mostram e chega ao ciclo do cansaço ai a gente deve falar que é amor. Vejam os pais, se encantam ao ver os olhos e sorrisos do pequeno bebê, ficam eufóricos com o crescimento e as descobertas da inquieta criança e se deparam com as diferenças das experiências que os adolescentes tem entre si... e é um acumulo tão grande que traz o cansaço de toda a correria com o jovem, rebelde ou não, e é ai que sabemos que há amor. Há amor porque o estado mental de cansaço não diminui a preocupação, não diminui o carinho. Amar é agradecer. Tudo que passou e que ainda haverá de vir, é agradecer por resistir ao cansaço.E isso os casais não entendem. É nesse ponto que se magoa, não porque quer, mas por estar cansado. E ninguém tem culpa de cansar, são Humanos não é mesmo ?! Cansar é algo que todo mundo passa, resta saber se tudo que se viveu irá passar junto... Passando, chame de resfriado, paixão, encanto, euforia... Ficando chame de gripe, que sofre mutação todo ano mas não deixa de existir, Chame de amor !