o último cigarro e a atenção que se voltou para ele o ambiente escuro e fresco embaixo de uma imensa árvore (que não era pé de manga rs. )
Desta vez não cantavam os pássaros, nem haviam pessoas conversando.
Um ou outro passou por nós e o que eu tinha em mãos mesmo era a pele dela, dentre os raros momentos da vida não havia quase nada em minha cabeça e isso me deixou em êxtase. talvez um nirvana estivesse por vir.
Houveram uns risos em algum ponto, umas declarações em outros mas nada que significasse tanto quanto a sincronia que estava estabelecida com os nossos rostos. Nariz e boca tão próximos e ainda assim todo o resto para se sentir, vez o outra o sentido focado na brisa que batia, naquela noite fria de verão, dava espaço para o cheiro dela, que eu já havia me apoderado e passara a ser meu.
A atmosfera daquele momento foi tão diferente que toques usualmente comuns despertaram a sensação de ser o primeiro, mais pelo fato de que primeiro representa único até aquele momento. E foi como me senti quando ela repousou a mão na minha nuca. O ultimo cigarro acabou e acendemos outro, tragamos... Mas ele não era nosso, e isso ficou evidente para ambas, a principio eu apenas pensei e ela foi quem verbalizou. O cigarro dela foi repousado a seu lado assim como o meu do lado oposto. O cigarro poderia até não ser meu, mas havia uma certeza de que nós duas nos pertencíamos cada vez mais e aquela sensação foi a ignição para todo o movimento a partir dali, Não só os rostos estavam sintonizados como os corpos também.
E esse pequeno, porém extenso, devaneio me fez sorrir uma noite depois, não apenas sorrir como ter a sensação de estar lá novamente.
Pensei que aquela sintonia permanecia, talvez seja inocência ou ambição demais querer que ela ainda estivesse ali, e não estava.
Deu espaço para outra coisa, para o que sempre vem, uma hora ou outra.
Vez para angustiar, vez para nós deixar com um quê de saudade...
Vai saber para o que veio, mas o passado é assim, retorna quando menos se espera.
Disso tudo eu sabiam, só não sabia que dói mais quando o passado é o do outro.
