Ontem a noite estava linda, devo meus parabéns a lua que brilhou como nunca e as nuvens também que se espalharam de um jeito gracioso formando uma moldura magnífica. Por traz delas o azul... Sempre o azul, desta vez um azul negro que abrangia toda a orla da praia, os coqueiros balançavam de forma a saltarem daquela moldura inicial, poderia perfeitamente encaixar em uma figurinha tridimensional ,daquelas que costumava-se ganhar em um pacote de salgadinho, e o uivo do vento era singular, um breve momento de distração até voltar os olhos a mesa os dados das recentes partidas de dominó estavam espalhados 3 e 5 eram os números marcados no tabuleiro, e apenas copos sobraram. Muita gente rindo, e uma senhora em pé, gesticulando alguma história da noite anterior, tentei deixar a expressão facial de uma forma neutra, por motivos simples, primeiro por ser horrível quando perguntam o que está acontecendo e não há o que responder, e segundo o céu estava lindo, não saberia explicar e pensariam que era uma tentativa de fugir do assunto, e ai é que começariam a pressionar, Ao fim deste pensamento me deparei com um par de olhos, e percebo que o próximo passo é o abrir dos lábios, então me apressei e disse " a lua esta linda hoje" e olharam para o céu, concordaram rapidamente e voltaram a prestar atenção naquela senhora tagarela que estava a encenar atos agora de uma nova história, voltei a minha paisagem preferida, encontrei órion e o seu cinturão, que de fato é sempre o que avisto primeiro, senti um pouco de raiva de algumas nuvens que se colocaram sobre o lugar onde deveria estar gêmeos, ou será que estava olhando para o lugar errado, virei e também não encontrei, o brilho da lua estava atrapalhando enxerga-las direito, recostei na cadeira, e admirei um coqueiro, tão desgrenhado como os outros, tão torto como os outros, até que uma pequena e luminosa esfera de plasma próxima àquele grupo de folhas, numa área que surpreendentemente se encontrava sem qualquer vestígio de nuvens, solitária, imaginei que fosse sirius mas não brilhava tanto assim, apenas brilhava, aquela estrela estava distante das outras só que jamais a teria encontrado se não fosse aquele coqueiro, me sentia imediatamente como ela, bom, óbvio que estava rodeada de pessoas, mas me sentia tão distante, perdida na magnitude dos meus pensamentos azuis, sim eles sempre eram azuis se formos colori-lo e naquela noite, era um azul negro, e ainda que o senso comum assimile a algo obscuro, eram os pensamentos mais claros que rodeavam a minha cabeça, e automaticamente estava sorrindo, e esperava que de alguma forma, ela sorrisse de volta.

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