sexta-feira, 19 de abril de 2013

O barulhinho que não vem


Que barulhinho bom , esse da grama crescendo 
de gente plantando, do são João chegando.
Que frio gostoso, gostoso como o munguzá 
e a tapioca que serve pra bolo, beijú , cuzcuz e olhe lá...
Se continuar barulhando e friozando com certeza vamos encontrar 
o milho quentinho, o amendoim fresquinho, o cheiro de pamonha no ar.

Deus queira que Lá caia a mesma água que aqui 
Ou quem sabe Alah seja mais generoso por aquelas bandas
Que Nossa Senhora proteja Ogum, para guerrear com a nossa mãe Iemanjá
e consigam junto com Oxum o sertão encharcar.
Não muita água, confio  no Cosmos e em Alfeu pra controlar.
Que essa seca de tristeza saia logo de lá.

Eu bem que gosto do friozinho e desse barulhinho
mas gosto mais é do povo que não consegue chorar sozinho.
Choro grupal sem lágrimas a escorrer.
A dona natureza já falou que nem vai se meter
mas é claro, se o doutor Homem diz que vai resolver.

E se passam as décadas
e por lá continua 
a seca maldita,sem barulhar, sem friozar
afinal, doutor Homem é ocupado e o consultório tem de enfeitar.

Um comentário:

  1. Que muito barulho seja feito por nosso Sertão. E que esse barulho conforte os milharais, os laranjais, qualquer-cultura-ais e, sobretudo, os sertanejos.

    Que vosso DEUS vos guarde. Seja ELE qual for.

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