quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"Papagaio e vaga-lume é tudo a mesma coisa.."
-Vó.

O vento norte




Nunca havia notado como o silêncio é tão engraçado,
como é triste e constrangedor também.
Alivia assim como pressiona e como faz sentir absolutamente nada.
Me agrada o silêncio que revela o que esta dentro e na verdade nada disso é silêncio, tudo é ,apenas, você se rebelando na brecha que lhe foi dada,
revelando para nada mais além do que você. 
Pode ser um silêncio sereno como o azul do céu de jauá, ou irradiante como o amarelo da bola de boliche, talvez triste como o marrom da cesta vazia, ou satisfeito como o verde da iguana da cesta. As vezes é inesperado como foi o roxo do cabelo da menina, ou leve como o azul petróleo do olho do menino, às vezes é inconstante e confuso como a combinação de azul,vermelho e branco da camisa do pai.
A verdade é que nessa aquarela o silêncio vai se adaptando, e poucos sabem distinguir, 
Algumas vezes é compartilhado o silencio branco de uns
Ou não se compreende o silencio alaranjado de outros. 
Eis que estes são meus, mas dentre essa explosão de signos eu mantenho a curiosidade em saber...
Qual a cor do seu silêncio ?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cruzeiros




15 de março de 1990 o Brasil volta a assumir como unidade do sistema monetário o Cruzeiro , Cr$, (que já foi utilizada anteriormente em 1942 por 25 anos e em 1970 por mais dezesseis anos.) e as antigas cédulas de 500,200,100 e 50 Cruzados Novos, NCz$, foram recarimbadas apenas para corrigir a nomeação da moeda, uma vez que o valor continuava o mesmo. Por conta da inflação veio a necessidade de se emitir cédulas num valor maior, e a de Mil Cruzeiros (foto) foi a primeira, e homenageava o sertanista¹ Cândido Rondon (também conhecido como Marechal Rondon).





Tio Wiki:
¹Sertanistas: São exploradores que se aventuram pelo interior do sertão brasileiro, e procuram por conquistas, riquezas ou com interesses sobre beleza natural. No período colonial eram chamados de Bandeirantes. Foram os principais responsáveis pela extensão das fronteiras do país, fazendo-as chegar à sua configuração atual.  Mais!



terça-feira, 4 de junho de 2013

O Suspiro


Levei a bela menina para longe
Longe... onde o meu cuidado desleixado não pudesse importunar
É que tão desajeitado que sou, a deixei triste só de respirar...
Será que me entende Zé ?
Como ela pôde notar...
Que esses suspiro foi de saudade
E não de quem está sem ar ?
Não queria magoa-la Zé,
mas já que ela perguntou não vou mais negar,
que aqui dentro já tem dono, Zé, mesmo que eu não vá me entregar..
Zé, eu a quero bem juntinho, mas ela não sabe esperar...
Por que eu sei que aos pouquinhos, a gente conseguiria consertar

Angra dos reis - Legião Urbana

Deixa, se fosse sempre assim
Quente, deita aqui perto de mim
Tem dias, que tudo está em paz
E agora os dias são iguais..


Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar...

Vamos brincar perto da usina
Deixa pra lá
A Angra é dos Reis
Por que se explicar
Se não existe perigo...

Senti teu coração perfeito
Batendo à toa e isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Uh! Uh! Uh! Uh!...

Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi...

Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo
Em chamas!
Deixa, pra lá...

Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é
Que a gente vai fugir?




A tarde no interior

Eram os olhos castanhos mais bonitos de todo o mundo,  talvez até fosse a posição, por que o sol refletia toda a experiencia e cansaço de alguém que tem passado os anos se preocupando muito mais com os outros do que com si mesma. Dessa vez não tinha nenhuma confusão entre seis ou meia dúzia, nem nenhuma disputa entre quem grita mais alto ou a procura de quem domina a razão... Dessa vez eram ondas tranquilas, ondas sonoras que simplesmente saiam como um desabafo. Um copo, preenchido com uma coisa que deveria ser um suco de uva se não fosse perceptível o aroma de álcool etílico, e sentou-se, veio de la àquela velha senhora, que gesticula sobre histórias da noite anterior (sim, essa senhora sempre está gesticulando histórias de noites anteriores) e a boca abaixo dos olhos castanhos nada falou, eu sorri como sempre e a senhora foi embora. As pálpebras, chatas que são, vieram e esconderam os olhos castanhos mais bonitos de todo o mundo, o meu sorriso ainda estava lá, e agora, não conseguia  pensar em um dialogo mais esclarecedor que este. Não que fosse dito muita coisa, não, não foi. A questão é que nos duas percebemos o amadurecimento de ambas as partes, e estava tudo tranquilo, finalmente... tranquilo...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Vila da Guta e do Zé


Era grande e muito velha a Dona Augusta, residia de frente para o mar, não tão perto para poder banhar-se nele toda manhã mas perto o suficiente para ver o sol exibir seu sorriso alaranjado por volta das 4:30, 5:00 horas.Vizinho da simpática Dona Guta vivia o Zé, para os íntimos, mas rabugento o bastante para preferir ser chamado a maioria das vezes de José mesmo. Seu Zé teima em ficar de frente para Dona Guta durante todo o dia, e ela queixava-se, pois desse jeito não conseguia ver as embarcações navegando pelo O Grande e Misterioso.
Durante os começos de tarde Guta ficava a observar as pessoas que sentavam ali naquele banquinho solitário, não que ela quisesse, mas era obrigada a isto visto que já estava ali a muito tempo. De tudo ouvia e trocava olhares com o Zé, e riam-se por dentro, muitas vezes de grupos de amigos que ficavam a fazer celeuma, outras dos casais,bobos ou deve-se dizer, apaixonados e toda aquela melosidade, e outras raras circunstancias de casais não apaixonados mas tímidos o suficiente para fazer o Zé suspirar de impaciência. Em algumas situações Guta ficava ouvindo os lamentos, tão atenta e compreensiva que parecia estar ali apenas para partilhar da dor dos outros e assim diminuir o peso que cada um carregava, Seu Zé se emocionava, porém agia como durão, mas não dava para esconder que algumas de suas folhas caíam nestas situações. Outros iam apenas admirar O Grande e Misterioso, e Dona Guta adorava esses, tanto que cedia de bom grato sua copa para proteger-lhes daquele , outrora alaranjado, sorriso amarelo fogo. A Sombra era tão agradável que era comum, estes permanecerem uma tarde inteira, e até mesmo boa parte da noite.
Grandes e Profundas eram as raízes de Augusta e José, no princípio era apenas isso que os mantia juntos, mas tanto tempo se passou que agora sentiam-se felizes por ter um ao outro, e uma imensa variedade de histórias presenciadas naquele banquinho entre eles. De certa forma Dona Augusta não admirava apenas O Grande e Misterioso, mas divertia-se também com o jeito engraçado do Zé se irritar, seja la com os casais bobos ou o que quer que fosse, assim como Seu Zé já não se importava mais com redução do seu nome, e no fundo no fundo, mas bem lá no fundo das reclamações rabugentas ele até gostava disso...

sábado, 27 de abril de 2013

Flor da escuridão


Ó flor negra
que brotastes de repente,
lembrava uma velha história de gente carente,
mas não era achatada e verde muito menos,
era negra tal qual véu que as índias tinham consigo.

Flor bela e comprida.
Flor esta que nunca havia visto
olhava se dentro onde pequenas pérolas se comprimiam,
aguardando sua hora para que outras belas produzissem.

Ó flor negra de folhas suaves e macias.
Teu cheiro me leva a crer além de outras vidas 
Pois se assim não fosse como mais saberia 
da existência desta bela que apenas a mim se revelaria.

Ainda que nunca apareças para outro 
Como a mim foi revelada 
mostro ao mundo tua beleza por estes versos mal dados
Ó flor
bela 
negra
e perolada
Leva-me junto ao teu lago 
onde descanso, por estar desabrigado.