quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Vila da Guta e do Zé


Era grande e muito velha a Dona Augusta, residia de frente para o mar, não tão perto para poder banhar-se nele toda manhã mas perto o suficiente para ver o sol exibir seu sorriso alaranjado por volta das 4:30, 5:00 horas.Vizinho da simpática Dona Guta vivia o Zé, para os íntimos, mas rabugento o bastante para preferir ser chamado a maioria das vezes de José mesmo. Seu Zé teima em ficar de frente para Dona Guta durante todo o dia, e ela queixava-se, pois desse jeito não conseguia ver as embarcações navegando pelo O Grande e Misterioso.
Durante os começos de tarde Guta ficava a observar as pessoas que sentavam ali naquele banquinho solitário, não que ela quisesse, mas era obrigada a isto visto que já estava ali a muito tempo. De tudo ouvia e trocava olhares com o Zé, e riam-se por dentro, muitas vezes de grupos de amigos que ficavam a fazer celeuma, outras dos casais,bobos ou deve-se dizer, apaixonados e toda aquela melosidade, e outras raras circunstancias de casais não apaixonados mas tímidos o suficiente para fazer o Zé suspirar de impaciência. Em algumas situações Guta ficava ouvindo os lamentos, tão atenta e compreensiva que parecia estar ali apenas para partilhar da dor dos outros e assim diminuir o peso que cada um carregava, Seu Zé se emocionava, porém agia como durão, mas não dava para esconder que algumas de suas folhas caíam nestas situações. Outros iam apenas admirar O Grande e Misterioso, e Dona Guta adorava esses, tanto que cedia de bom grato sua copa para proteger-lhes daquele , outrora alaranjado, sorriso amarelo fogo. A Sombra era tão agradável que era comum, estes permanecerem uma tarde inteira, e até mesmo boa parte da noite.
Grandes e Profundas eram as raízes de Augusta e José, no princípio era apenas isso que os mantia juntos, mas tanto tempo se passou que agora sentiam-se felizes por ter um ao outro, e uma imensa variedade de histórias presenciadas naquele banquinho entre eles. De certa forma Dona Augusta não admirava apenas O Grande e Misterioso, mas divertia-se também com o jeito engraçado do Zé se irritar, seja la com os casais bobos ou o que quer que fosse, assim como Seu Zé já não se importava mais com redução do seu nome, e no fundo no fundo, mas bem lá no fundo das reclamações rabugentas ele até gostava disso...

sábado, 27 de abril de 2013

Flor da escuridão


Ó flor negra
que brotastes de repente,
lembrava uma velha história de gente carente,
mas não era achatada e verde muito menos,
era negra tal qual véu que as índias tinham consigo.

Flor bela e comprida.
Flor esta que nunca havia visto
olhava se dentro onde pequenas pérolas se comprimiam,
aguardando sua hora para que outras belas produzissem.

Ó flor negra de folhas suaves e macias.
Teu cheiro me leva a crer além de outras vidas 
Pois se assim não fosse como mais saberia 
da existência desta bela que apenas a mim se revelaria.

Ainda que nunca apareças para outro 
Como a mim foi revelada 
mostro ao mundo tua beleza por estes versos mal dados
Ó flor
bela 
negra
e perolada
Leva-me junto ao teu lago 
onde descanso, por estar desabrigado.

O poema dos Quatro



4 foi O número, mas no principio amanheceu apenas  um,
veio mais outro, fruto da ausência de 20 que acabou por nos transformar em dois, 
num susto mais que engraçado
 éramos 3 e nem havia notado 
que o horário já tinha estourado
Numa carruagem, no imaginário, fomos constantemente do 3 ao 4 
mas de frente a casa verde, o imaginário foi concretizado
e lá estavam eles quarenta dedos acoplados...
cinco em cada pé ?
exato.
Passo, passo e mais passos
Antes de sentarem foram rapidamente 5 e um cocar, porém no fim das contas
8 nádegas que se sentaram, lembrando que estavam de par em par.
Acredito que muito mais de 360º os ponteiros se deslocaram
e na minha conta foram 90, dessas pequenas galináceas, devoradas.
4 línguas bem dotadas tagarelavam em frente a casa onde mais de mil páginas se instalavam
Duas ou três orelhas se incomodavam com uma das línguas malditas que abusava.
Mas de dois em dois, abraços foram mais de quatro
e de repente só dois pares de tênis desfilavam
pra lá...
pra cá...
uma pena, pois  foram curtos os próximos abraços.
trocou o par, mas ainda foram dois que se instalavam naquele bonito carro
Assim começou 
assim termina este embaraço
com apenas um na cama e dois olhos já cansados.


La luna


A lua
apareceu
e ali estava o brilho
de criança que desembrulha o presente
e se encanta de forma surpreendente.
De pai que se anima muito mais que filho.
O vento soprou e as nuvens , que antes deslizavam, correram
assim como o coração que pulsava de desespero.
E o vento soprou, levou a fumaça
e trouxe de volta
aquele olhar de quem gosta.
As estrelas
haviam ido embora
culpa das nuvens que correram outrora
cobrindo os belos brilhos 
brilho que surgiu entre os lábios da pequena
que refletiam nos olhos
E a lua respondia com um riso maior ainda, 
sabe-se que agradecia pois brilhava como a morena.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Käfer






" Ninguém por perto, silêncio no deserto
Deserta highway..."

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Vila Velha


O barulhinho que não vem


Que barulhinho bom , esse da grama crescendo 
de gente plantando, do são João chegando.
Que frio gostoso, gostoso como o munguzá 
e a tapioca que serve pra bolo, beijú , cuzcuz e olhe lá...
Se continuar barulhando e friozando com certeza vamos encontrar 
o milho quentinho, o amendoim fresquinho, o cheiro de pamonha no ar.

Deus queira que Lá caia a mesma água que aqui 
Ou quem sabe Alah seja mais generoso por aquelas bandas
Que Nossa Senhora proteja Ogum, para guerrear com a nossa mãe Iemanjá
e consigam junto com Oxum o sertão encharcar.
Não muita água, confio  no Cosmos e em Alfeu pra controlar.
Que essa seca de tristeza saia logo de lá.

Eu bem que gosto do friozinho e desse barulhinho
mas gosto mais é do povo que não consegue chorar sozinho.
Choro grupal sem lágrimas a escorrer.
A dona natureza já falou que nem vai se meter
mas é claro, se o doutor Homem diz que vai resolver.

E se passam as décadas
e por lá continua 
a seca maldita,sem barulhar, sem friozar
afinal, doutor Homem é ocupado e o consultório tem de enfeitar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Estação 17



Mil quadrados espalhados e dona Sofia nem sabia o por que deles estarem la, 
simplesmente estavam, e eram destinados a estar,
 um " eu gosto de quadrados " pra la, 
e um " eu gosto de pássaros " pra cá. 
Foi meio engraçado, mas ela tentou desenhar, 
e os pássaros engraçados começaram a brotar, 
ela me veio com uns coqueiros, que poderiam até elogiar, 
mas a questão é que de elogios ela não sabia brincar.
Passaram-se os dias, e começaram a trocar, 
as mensagens e os gostos que chegavam até a assustar
E todo dia se repetia, no cubículo branco e pessoas a conversar,
mas nem se importavam por que  palavras cruzadas às faziam chorar
chorar nem é a palavra, mas vai que não consigo rimar
então é mais fácil dizer que elas pareciam nem estar la
depois de va gar zinho ela puxou a outra pra cá 
e de repente estavam elas de novo naquele lugar
uma senhora legal se preocupava em procurar
o livro que a dos quadrados decidiu investigar
a outra desesperada só queria se mandar 
e falava de ladeiras, sequestros e outras coisas que nem dá pra lembar
a tecnologia surpreendeu, mas o capital não estava la.
então continuaram caminhando até aquele cara encontrar,
veio aquela indecisão, "Falar ou não Falar"
e dentre muitos risos até o 17 foram caminhar
e então pararam e puseram-se a esperar 
enquanto uma delas não parava de indagar 
" E se eu não existir, e você só estiver a me imaginar ?"
E a outra assustada começou a desconfiar 
era assunto que dava para a noite virar 
mas de repente veio a máquina e para longe decidiu levar
a pequena coruja ia à praia se abrigar 
enquanto o panda voltava para na floresta descansar.