terça-feira, 17 de setembro de 2013

É Ramos... (Sete)

Foi uma tarde bem inesperada, ainda mais por que a Guta la estava sentada admirando O Grande e Misterioso como de costume. O Zé bem que comentou como ele estava lindo naquele começo de tarde, e logo quando terminou de falar veio a menina de allstar azul que combina com seus cabelos pretos e falou " olha como o mar esta maravilhoso", o Zé sorrio e olhou para Guta todo presunçoso enquanto a outra menina de vestido branco perguntava " é aqui ?" 
Sim. Era ali. Foi ali. É aqui, pequena, que boa parte da história se enrola. 
Os ventos estavam calmos e atenciosos, praticamente beijava os rostos das três mulheres que sentaram ali, e ali bem ali foi tão gostoso de se ouvir tantas gargalhadas e histórias contadas pela metade, e foram um,dois , quatro e quase uma progressão geométrica de copos se iniciava quando as três mulheres se transformaram em 5 ou melhor... 4 e uma barbixa.
Uma bela e simpática barbixa diga-se de passagem....
E ai foram as mais maliciosas sugestões que logo viraram atos e bom, isso trouxe  a Guta lembranças de uns outros casais que ali por baixo também se entrelaçaram,  mas aqueles cinco não eram casais, e nem assim poderia, uma vez que matemática impar não permitiria. Eram amigos. E dos bons pelo visto.
Não de longa data, talvez apenas uma e outra fossem, mas amigos com mesmo propósito, sair da rotina que todas as segundas-tediosas- feiras impõe. 
Foram horas de conhecimento de cada um. Não conhecimento pessoal, mas anatômico...
O riso largo e silencioso da barbixa.
O copo ~sempre~ cheio da ultima moça a chegar.
O banco alto de mais para uma das primeiras que veio.
A experiencia em bebidas da dos cabelos pretos
 e assim foi até um outro grupo chegar e então as quatro mulheres e a barbixa marcharam em direção da bandeira ruiva da Inglaterra mas sem antes no caminho um senhor bonito acompanhar, e quando eu digo bonito é que de longe a Guta ouvia a beleza da alma dele gritar, o que fez alguns se encantarem, alguns que nem mencionei ainda mas logo logo irei falar.
e de volta estavam eles cinco, agora pelo passeio divididos:
A barbixa e o vestido branco, agora manchado de uva, seguiam vagarosamente enquanto o par de allstar azul que combina com o cabelo preto acompanhava a mulher de casaco rosaoutalvezvermelho que por sua vez tinha um colete xadrez do seu lado de braços dados.
E finalmente la estava ela, a grande e ruiva bandeira da Inglaterra, e as devidas apresentações foram feitas
num espaço de um beijo e outro, da barbixa com o vestido branco manchado de uva, 
mais conversa foi, e mais conversa veio. E junto com a conversa veio um par de calça jeans muito do tímido. 
E só uma pausa para soma, que na minhas contas agora são sete...
S E T E .... 
Ironia do destino o sete, numero divino da perfeição mas aposto que tarde mais pagã que aquela não houve não. Mas sete gente, sete é legal e aqueles sete ao redor de uma mesa agia como se tudo ali fosse bem natural, e na verdade foi mesmo, por que veio uma coisa de cada vez, sem pressa e foi embora da mesma forma : 
Uma
coisa 
de 
cada ...
Uma coisa de cada, e cada um fez uma coisa, teve os que fizeram muitas coisas mas garanto que a nenhum dos sete faltou coisa alguma. 
É engraçado pensar que eles nem se procuram durante um dia inteiro comum, mas durante aquela tarde eles foram excelentes parceiros. 
Foram amigos.
Foram companheiros. 
Foram sete e se foram...
Mas foram, por um período inteiro... 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

"Papagaio e vaga-lume é tudo a mesma coisa.."
-Vó.

O vento norte




Nunca havia notado como o silêncio é tão engraçado,
como é triste e constrangedor também.
Alivia assim como pressiona e como faz sentir absolutamente nada.
Me agrada o silêncio que revela o que esta dentro e na verdade nada disso é silêncio, tudo é ,apenas, você se rebelando na brecha que lhe foi dada,
revelando para nada mais além do que você. 
Pode ser um silêncio sereno como o azul do céu de jauá, ou irradiante como o amarelo da bola de boliche, talvez triste como o marrom da cesta vazia, ou satisfeito como o verde da iguana da cesta. As vezes é inesperado como foi o roxo do cabelo da menina, ou leve como o azul petróleo do olho do menino, às vezes é inconstante e confuso como a combinação de azul,vermelho e branco da camisa do pai.
A verdade é que nessa aquarela o silêncio vai se adaptando, e poucos sabem distinguir, 
Algumas vezes é compartilhado o silencio branco de uns
Ou não se compreende o silencio alaranjado de outros. 
Eis que estes são meus, mas dentre essa explosão de signos eu mantenho a curiosidade em saber...
Qual a cor do seu silêncio ?

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cruzeiros




15 de março de 1990 o Brasil volta a assumir como unidade do sistema monetário o Cruzeiro , Cr$, (que já foi utilizada anteriormente em 1942 por 25 anos e em 1970 por mais dezesseis anos.) e as antigas cédulas de 500,200,100 e 50 Cruzados Novos, NCz$, foram recarimbadas apenas para corrigir a nomeação da moeda, uma vez que o valor continuava o mesmo. Por conta da inflação veio a necessidade de se emitir cédulas num valor maior, e a de Mil Cruzeiros (foto) foi a primeira, e homenageava o sertanista¹ Cândido Rondon (também conhecido como Marechal Rondon).





Tio Wiki:
¹Sertanistas: São exploradores que se aventuram pelo interior do sertão brasileiro, e procuram por conquistas, riquezas ou com interesses sobre beleza natural. No período colonial eram chamados de Bandeirantes. Foram os principais responsáveis pela extensão das fronteiras do país, fazendo-as chegar à sua configuração atual.  Mais!



terça-feira, 4 de junho de 2013

O Suspiro


Levei a bela menina para longe
Longe... onde o meu cuidado desleixado não pudesse importunar
É que tão desajeitado que sou, a deixei triste só de respirar...
Será que me entende Zé ?
Como ela pôde notar...
Que esses suspiro foi de saudade
E não de quem está sem ar ?
Não queria magoa-la Zé,
mas já que ela perguntou não vou mais negar,
que aqui dentro já tem dono, Zé, mesmo que eu não vá me entregar..
Zé, eu a quero bem juntinho, mas ela não sabe esperar...
Por que eu sei que aos pouquinhos, a gente conseguiria consertar

Angra dos reis - Legião Urbana

Deixa, se fosse sempre assim
Quente, deita aqui perto de mim
Tem dias, que tudo está em paz
E agora os dias são iguais..


Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar...

Vamos brincar perto da usina
Deixa pra lá
A Angra é dos Reis
Por que se explicar
Se não existe perigo...

Senti teu coração perfeito
Batendo à toa e isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Uh! Uh! Uh! Uh!...

Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi...

Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo
Em chamas!
Deixa, pra lá...

Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é
Que a gente vai fugir?




A tarde no interior

Eram os olhos castanhos mais bonitos de todo o mundo,  talvez até fosse a posição, por que o sol refletia toda a experiencia e cansaço de alguém que tem passado os anos se preocupando muito mais com os outros do que com si mesma. Dessa vez não tinha nenhuma confusão entre seis ou meia dúzia, nem nenhuma disputa entre quem grita mais alto ou a procura de quem domina a razão... Dessa vez eram ondas tranquilas, ondas sonoras que simplesmente saiam como um desabafo. Um copo, preenchido com uma coisa que deveria ser um suco de uva se não fosse perceptível o aroma de álcool etílico, e sentou-se, veio de la àquela velha senhora, que gesticula sobre histórias da noite anterior (sim, essa senhora sempre está gesticulando histórias de noites anteriores) e a boca abaixo dos olhos castanhos nada falou, eu sorri como sempre e a senhora foi embora. As pálpebras, chatas que são, vieram e esconderam os olhos castanhos mais bonitos de todo o mundo, o meu sorriso ainda estava lá, e agora, não conseguia  pensar em um dialogo mais esclarecedor que este. Não que fosse dito muita coisa, não, não foi. A questão é que nos duas percebemos o amadurecimento de ambas as partes, e estava tudo tranquilo, finalmente... tranquilo...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Vila da Guta e do Zé


Era grande e muito velha a Dona Augusta, residia de frente para o mar, não tão perto para poder banhar-se nele toda manhã mas perto o suficiente para ver o sol exibir seu sorriso alaranjado por volta das 4:30, 5:00 horas.Vizinho da simpática Dona Guta vivia o Zé, para os íntimos, mas rabugento o bastante para preferir ser chamado a maioria das vezes de José mesmo. Seu Zé teima em ficar de frente para Dona Guta durante todo o dia, e ela queixava-se, pois desse jeito não conseguia ver as embarcações navegando pelo O Grande e Misterioso.
Durante os começos de tarde Guta ficava a observar as pessoas que sentavam ali naquele banquinho solitário, não que ela quisesse, mas era obrigada a isto visto que já estava ali a muito tempo. De tudo ouvia e trocava olhares com o Zé, e riam-se por dentro, muitas vezes de grupos de amigos que ficavam a fazer celeuma, outras dos casais,bobos ou deve-se dizer, apaixonados e toda aquela melosidade, e outras raras circunstancias de casais não apaixonados mas tímidos o suficiente para fazer o Zé suspirar de impaciência. Em algumas situações Guta ficava ouvindo os lamentos, tão atenta e compreensiva que parecia estar ali apenas para partilhar da dor dos outros e assim diminuir o peso que cada um carregava, Seu Zé se emocionava, porém agia como durão, mas não dava para esconder que algumas de suas folhas caíam nestas situações. Outros iam apenas admirar O Grande e Misterioso, e Dona Guta adorava esses, tanto que cedia de bom grato sua copa para proteger-lhes daquele , outrora alaranjado, sorriso amarelo fogo. A Sombra era tão agradável que era comum, estes permanecerem uma tarde inteira, e até mesmo boa parte da noite.
Grandes e Profundas eram as raízes de Augusta e José, no princípio era apenas isso que os mantia juntos, mas tanto tempo se passou que agora sentiam-se felizes por ter um ao outro, e uma imensa variedade de histórias presenciadas naquele banquinho entre eles. De certa forma Dona Augusta não admirava apenas O Grande e Misterioso, mas divertia-se também com o jeito engraçado do Zé se irritar, seja la com os casais bobos ou o que quer que fosse, assim como Seu Zé já não se importava mais com redução do seu nome, e no fundo no fundo, mas bem lá no fundo das reclamações rabugentas ele até gostava disso...